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Exames do pré-natal: o que é cada um e quando fazer

Hemograma, VDRL, TOTG, morfológico, estreptococo B: os exames de cada trimestre explicados em palavras simples.

Na primeira consulta de pré-natal, muita gente sai com uma lista enorme de pedidos de exame e nenhuma ideia do que é cada um. Hemograma, VDRL, Coombs, TOTG… parece outra língua.

Este guia explica, em palavras simples, os exames mais comuns de cada trimestre e para que servem. Assim você chega ao laboratório e às consultas sabendo o que está fazendo, e com as perguntas certas.

Importante: os exames podem variar de acordo com a sua saúde, o seu histórico e o serviço em que você faz o pré-natal (SUS ou particular). Quem define a lista é a sua equipe.

Por que tantos exames?

A maioria dos exames do pré-natal serve para encontrar cedo situações que têm tratamento, como anemia, diabetes da gestação, infecções e incompatibilidade de sangue entre mãe e bebê. Quanto antes se descobre, mais simples costuma ser cuidar. Por isso, começar o pré-natal cedo (de preferência até a 12ª semana) faz tanta diferença.

1º trimestre (primeiras consultas)

  • Hemograma: procura anemia, que é comum na gravidez, e outras alterações no sangue.
  • Tipo sanguíneo e fator Rh: mostra se o seu sangue é Rh positivo ou negativo. Se for negativo, entra o Coombs indireto (veja abaixo).
  • Glicemia de jejum: mede o açúcar no sangue, para identificar diabetes.
  • Urina tipo 1 e urocultura: procuram infecção urinária, que na gravidez pode não dar sintomas e precisa ser tratada.
  • Sífilis (VDRL ou teste rápido), HIV, hepatite B e, em muitos serviços, hepatite C: são infecções que podem passar para o bebê e têm tratamento ou prevenção durante a gestação.
  • Toxoplasmose: mostra se você já teve contato com o parasita. Se nunca teve, você recebe orientações para se proteger e repete o exame ao longo da gravidez.
  • Ultrassom obstétrico: confirma a gravidez, a idade gestacional e os batimentos do bebê.
  • Ultrassom morfológico do 1º trimestre (entre 11 e 14 semanas): avalia o desenvolvimento do bebê e inclui a medida da translucência nucal.
  • Preventivo (Papanicolau): se estiver atrasado, pode ser feito com segurança na gravidez.

2º trimestre

  • Ultrassom morfológico do 2º trimestre (entre 20 e 24 semanas): é o exame mais detalhado da anatomia do bebê, do coração aos dedinhos. Muitas vezes é nele que se descobre o sexo.
  • Teste de tolerância à glicose (TOTG, "curva glicêmica"), entre 24 e 28 semanas: você toma um líquido doce e faz coletas de sangue em horários marcados. Serve para diagnosticar o diabetes gestacional. Leve algo para fazer, porque leva cerca de 2 horas.
  • Repetição de alguns exames, conforme o pedido da sua equipe.

3º trimestre

  • Novo hemograma, para checar anemia perto do parto.
  • Repetição das sorologias (sífilis, HIV, hepatites e, se você não tem imunidade, toxoplasmose).
  • Urina e urocultura novamente.
  • Pesquisa de estreptococo do grupo B, por volta de 35 a 37 semanas: uma coleta rápida com cotonete na região íntima. Se der positivo, você recebe antibiótico durante o trabalho de parto, para proteger o bebê.
  • Ultrassom do 3º trimestre, às vezes com Doppler, para avaliar o crescimento do bebê e a circulação na placenta, quando indicado.

Se o seu sangue for Rh negativo

Se você é Rh negativo e o pai do bebê é Rh positivo (ou não se sabe), o bebê pode ser Rh positivo. Nesse caso, o seu corpo pode produzir anticorpos contra o sangue dele. Para acompanhar isso, é feito o Coombs indireto, que pode ser repetido ao longo da gestação. A sua equipe também vai orientar sobre a imunoglobulina anti-D, uma injeção que previne esse problema, aplicada na gravidez e depois do parto quando indicado.

Cuidados se você não tem imunidade para toxoplasmose

  • Coma carnes sempre bem passadas e evite embutidos crus;
  • Lave bem frutas, verduras e legumes;
  • Use luvas para mexer na terra e peça para outra pessoa limpar a caixa de areia do gato;
  • Lave as mãos com frequência, principalmente depois de manusear carne crua.

Dicas para o dia dos exames

  • Confira se o exame pede jejum e por quantas horas;
  • Leve a caderneta da gestante e os pedidos médicos;
  • Guarde todos os resultados e leve em todas as consultas;
  • Na dúvida sobre um resultado, pergunte na consulta antes de pesquisar na internet: muitos valores "fora do padrão" não significam problema.

Para ver em que fase da gravidez você está, use a calculadora de semanas de gestação. E, para acompanhar o desenvolvimento do bebê, leia o guia da gravidez semana a semana.

Fontes

Este artigo foi escrito com base em orientações de:

  • Ministério da Saúde — Caderneta da Gestante, Caderneta da Criança e guias oficiais
  • Febrasgo — Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia

Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação do seu médico, obstetra, pediatra ou outro profissional de saúde. Na dúvida, procure a sua equipe.