Baby blues ou depressão pós-parto? Como diferenciar e quando pedir ajuda
O que é comum nos primeiros dias, os sinais de depressão pós-parto, como é o tratamento pelo SUS e quando procurar atendimento urgente.
O bebê nasceu, todo mundo diz que este é o momento mais feliz da sua vida, e você está chorando no banheiro sem saber por quê. Se isso aconteceu com você, saiba de uma coisa: você não é uma mãe ruim, nem ingrata.
As emoções depois do parto costumam ser intensas, e nem sempre são as que a gente esperava sentir. Às vezes é o baby blues, que passa sozinho. Às vezes é depressão pós-parto, que tem tratamento. Este guia ajuda a entender a diferença, mas só um profissional de saúde pode dar o diagnóstico.
Precisa de ajuda agora?
Se você pensa em se machucar, em não estar mais aqui ou em machucar o bebê, procure ajuda imediatamente: vá a um pronto-socorro ou ligue para o SAMU (192). Para conversar com alguém a qualquer hora, o CVV atende de graça pelo 188, 24 horas. Se puder, peça para alguém ficar com você e com o bebê enquanto isso.
O que é o baby blues
É uma tristeza passageira, muito comum nos primeiros dias depois do parto. A queda brusca dos hormônios, o cansaço, a dor e a responsabilidade nova chegam todos ao mesmo tempo.
Ele costuma aparecer entre o segundo e o terceiro dia e melhorar sozinho em até cerca de 2 semanas. Pode trazer:
- Choro fácil, às vezes sem motivo claro;
- Irritação e mudanças rápidas de humor;
- Sensibilidade maior do que o normal;
- Medo de não dar conta do bebê;
- Cansaço e dificuldade de se concentrar.
A característica mais importante é que ele vem em ondas. Você chora de manhã e consegue sorrir para o bebê à tarde. Entre uma onda e outra, ainda há momentos bons.
O que é a depressão pós-parto
É uma doença, e não uma fraqueza ou falta de amor pelo bebê. Costuma aparecer nas primeiras semanas depois do nascimento, mas também pode surgir nos meses seguintes. Em algumas mulheres, os sintomas já começam na gravidez.
Fique atenta se, na maior parte do tempo, você sentir:
- Tristeza, vazio ou desânimo que não vão embora;
- Falta de interesse pelo que antes dava prazer;
- Culpa intensa, ou a sensação de ser uma mãe ruim;
- Cansaço extremo, que não melhora nem quando você consegue descansar;
- Insônia mesmo com o bebê dormindo, ou vontade de dormir o tempo todo;
- Mudanças grandes no apetite;
- Dificuldade de se conectar com o bebê;
- Vontade de se afastar das pessoas;
- Pensamentos sobre morte ou sobre não querer mais viver.
Nem todas as mães se sentem tristes. Para algumas, a depressão aparece mais como irritação constante, preocupação que não para ou uma sensação de estar no automático.
Lado a lado: como diferenciar
Baby blues
- Começa nos primeiros dias depois do parto
- Vem em ondas, com momentos bons no meio
- Melhora sozinho em até cerca de 2 semanas
- Você consegue cuidar de si e do bebê, mesmo cansada
- Descanso e apoio ajudam bastante
Depressão pós-parto
- Dura mais de 2 semanas, ou começa semanas ou meses depois
- O peso fica presente na maior parte do tempo
- Não melhora só com descanso
- As tarefas do dia a dia parecem impossíveis
- Tem tratamento: converse com um profissional de saúde
Ficou na dúvida? Peça uma avaliação mesmo assim. Você não precisa ter certeza do que está sentindo, nem esperar as 2 semanas se estiver sofrendo muito.
Não é culpa sua
A depressão pós-parto pode acontecer com qualquer mãe, inclusive com quem desejou muito o bebê e tem uma família presente. Algumas situações podem aumentar o risco:
- Já ter tido depressão ou ansiedade;
- Parto difícil, ou bebê que precisou ficar internado;
- Pouco apoio em casa;
- Dificuldades financeiras ou no relacionamento;
- Muitas noites sem conseguir dormir.
Se alguma delas faz parte da sua história, conte para a sua equipe ainda no pré-natal. Assim, vocês já podem combinar como acompanhar você depois do parto.
Como é o tratamento
O tratamento é definido caso a caso e pode incluir psicoterapia, medicamentos e o apoio da família e dos amigos. No SUS, o atendimento é gratuito. O caminho costuma começar assim:
- Procure quem já acompanha você: sua obstetra, seu médico de família ou a Unidade Básica de Saúde (UBS) do seu bairro.
- Conte o que está sentindo, sem diminuir: se for difícil falar, leve anotado ou peça para alguém ir junto.
- Pergunte sobre os próximos passos: quando houver necessidade, a equipe pode encaminhar você para outros serviços, como o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
Está amamentando? Avise quem for atender você. Muitas vezes é possível tratar sem interromper a amamentação. Não pare de amamentar nem comece ou interrompa um remédio por conta própria: decida com o médico.
O que ajuda no dia a dia
Estas atitudes ajudam no baby blues e complementam o tratamento da depressão, mas não o substituem:
- Proteja o seu sono: combine com alguém pelo menos um período de descanso sem interrupção, quando for possível;
- Aceite ajuda específica: comida pronta, roupa lavada ou alguém que olhe o bebê enquanto você toma banho;
- Coma e beba água: deixe lanches simples ao alcance;
- Fale a verdade para alguém de confiança: você não precisa dizer que está tudo bem;
- Saia um pouco de casa, se tiver vontade e se sentir bem: alguns minutos de sol e ar fresco já contam.
Para quem está por perto
Muitas vezes, é o parceiro, a mãe ou uma amiga quem percebe primeiro. Se você convive com uma mãe nessa fase:
- Evite frases como "mas você tem um bebê lindo" ou "toda mãe passa por isso";
- Pergunte e escute: "como você está de verdade?" pode abrir a conversa;
- Assuma tarefas sem esperar que ela peça;
- Ofereça marcar a consulta e ir junto;
- Leve a sério qualquer fala sobre morte ou sobre o bebê ficar melhor sem ela: procure ajuda no mesmo dia e não a deixe sozinha.
Quando é emergência
Procure um pronto-socorro ou ligue para o SAMU (192) imediatamente se houver:
- Pensamentos de se machucar, de não querer mais viver ou de machucar o bebê;
- Ver ou ouvir coisas que as outras pessoas não veem nem ouvem;
- Ideias estranhas ou desconfianças que não fazem sentido para quem está por perto;
- Confusão intensa ou agitação, ou passar noites sem dormir e sem sentir sono.
Ver ou ouvir coisas, ideias estranhas, confusão e agitação podem ser sinais de psicose pós-parto. Ela é rara, mas pode começar de repente e precisa de atendimento urgente. Em qualquer uma dessas situações, a mãe e o bebê não devem ficar sozinhos.
Pedir ajuda não significa que você falhou como mãe. É uma forma de cuidar de você e do seu bebê. Para ver outros sinais de atenção nessa fase, leia também a página Pós-parto.
Fontes
Este artigo foi escrito com base em orientações de:
- Ministério da Saúde — Depressão pós-parto: sintomas, tratamento e atendimento no SUS
- Organização Mundial da Saúde (OMS) — Guia para integrar a saúde mental ao cuidado na gestação e no pós-parto
- Centro de Valorização da Vida (CVV) — Apoio emocional gratuito, 24 horas, pelo telefone 188
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação do seu médico, obstetra, pediatra ou outro profissional de saúde. Na dúvida, procure a sua equipe.