Amamentação nas primeiras semanas: guia para quem está começando
Pega certa, posições, quantas vezes o bebê deve mamar, como saber se ele está mamando o suficiente e o que fazer nas dificuldades mais comuns.
Amamentar é natural, mas não é automático. Nas primeiras semanas, você e o bebê estão aprendendo juntos: ele aprende a pegar e a sugar, e o seu corpo aprende a produzir a quantidade certa de leite. É normal ter dúvidas, insegurança e alguns tropeços no caminho.
Este guia reúne o que mais ajuda nesse começo: como saber se a pega está boa, quantas vezes o bebê deve mamar, como saber se ele está se alimentando bem e o que fazer nas dificuldades mais comuns.
Os primeiros dias: o colostro
Logo depois do parto, o seu peito produz o colostro: um leite mais grosso e amarelado, em pouca quantidade. Parece pouco, mas é exatamente o que o recém-nascido precisa. O estômago dele é minúsculo, e o colostro é muito concentrado em nutrientes e anticorpos.
Entre o 2º e o 5º dia, costuma acontecer a "descida do leite": os seios ficam mais cheios, pesados e quentes, e o leite fica mais branco e abundante. Até lá, a melhor coisa a fazer é colocar o bebê no peito com frequência, porque é a sucção que estimula a produção.
Como saber se a pega está certa
A pega é o jeito como o bebê abocanha o peito, e ela é o segredo de quase tudo: uma boa pega faz o bebê mamar bem e evita dor e rachaduras. Repare nestes sinais:
- Boca bem aberta, abocanhando não só o bico, mas boa parte da aréola (a parte escura em volta).
- Lábios virados para fora, como uma "boca de peixinho".
- Queixo encostado no peito e o nariz livre para respirar.
- Bochechas arredondadas, e não encovadas, durante a sucção.
- Você ouve o bebê engolir, sem estalos.
- Pode haver um incômodo no começo da mamada, mas não uma dor forte que dura a mamada inteira.
Para posicionar: deixe a barriga do bebê virada para a sua barriga, com a cabeça e o corpo alinhados. Leve o bebê até o peito, e não o peito até o bebê. Se precisar tirá-lo do peito, coloque o dedo mínimo no canto da boca dele para quebrar a sucção antes de afastar. Assim o mamilo não fica machucado.
Posições para amamentar
Não existe posição certa: existe a que funciona para vocês dois. Vale experimentar:
- Tradicional (de berço): o bebê deitado no seu braço, de lado, barriga com barriga.
- Invertida ou "de bola de futebol americano": o corpo do bebê passa por baixo do seu braço, ao lado do seu corpo. Ótima depois da cesárea, porque não pesa sobre o corte.
- Deitada de lado: você e o bebê deitados, um de frente para o outro. Ajuda nas mamadas da madrugada. Evite dormir com o bebê na cama depois da mamada: volte com ele para o berço.
- Cavalinho: o bebê sentado na sua perna, de frente para o peito. Mais usada quando ele já tem um pouco mais de firmeza.
Use almofadas ou travesseiros para apoiar o seu braço e as costas. Uma mamada pode demorar, e você precisa estar confortável.
Quantas vezes o bebê deve mamar?
No começo, o recomendado é a livre demanda: oferecer o peito sempre que o bebê pedir, sem horários fixos. Nas primeiras semanas, isso costuma dar 8 a 12 mamadas (ou mais) em 24 horas, inclusive de madrugada.
Fique atenta aos sinais de fome, que aparecem antes do choro:
- Levar as mãos à boca;
- Virar a cabeça de um lado para o outro, procurando;
- Fazer movimentos de sucção ou estalar os lábios.
O choro já é um sinal mais tardio, e um bebê muito agitado tem mais dificuldade para pegar o peito.
Deixe o bebê mamar em um peito até ele soltar sozinho ou parecer satisfeito antes de oferecer o outro. O leite do fim da mamada é mais rico em gordura e ajuda o bebê a ficar saciado. Na mamada seguinte, comece pelo peito em que ele terminou.
Como saber se ele está mamando o suficiente
Não dá para ver quanto leite saiu, e essa é uma das maiores angústias de quem amamenta. Os melhores sinais são:
- Fraldas molhadas: depois do 5º dia de vida, pelo menos 6 fraldas bem molhadas por dia, com xixi claro.
- Cocô: nas primeiras semanas, o bebê costuma fazer cocô várias vezes ao dia. Depois do mecônio (o primeiro cocô, escuro), ele fica amarelado e mole.
- Peso: é normal o bebê perder um pouco de peso nos primeiros dias. Ele costuma recuperar o peso de nascimento por volta de duas semanas de vida, e o pediatra acompanha isso nas consultas.
- Comportamento: depois de mamar, ele parece satisfeito e relaxado, e fica acordado e ativo em alguns momentos do dia.
As dificuldades mais comuns
Dor e rachaduras no mamilo
Quase sempre indicam que a pega precisa de ajuste. Corrigir a pega é o principal tratamento. Depois da mamada, deixar um pouco do próprio leite no mamilo e deixar secar ao ar pode ajudar. Evite passar sabonete, álcool ou pomadas por conta própria. Se a dor continuar, procure ajuda o quanto antes.
Peito "empedrado" (ingurgitamento)
Quando o leite desce, os seios podem ficar muito cheios, duros e doloridos, e o bebê tem dificuldade de pegar. O que ajuda: amamentar com frequência, fazer massagens suaves e tirar um pouco de leite com a mão antes da mamada para amolecer a aréola. Compressas frias entre as mamadas podem aliviar o desconforto.
Mastite
Se uma parte do seio ficar vermelha, quente e dolorida, principalmente com febre ou mal-estar, procure atendimento médico. Na maioria dos casos, é recomendado continuar amamentando durante o tratamento, mas quem decide é o médico.
"Acho que tenho pouco leite"
É uma sensação muito comum, especialmente quando o bebê quer mamar o tempo todo ou quando os seios ficam mais macios depois das primeiras semanas. Na maioria das vezes, a produção está adequada. Confira os sinais de fraldas e peso acima. A frequência das mamadas é o que mais estimula a produção. Antes de oferecer qualquer complemento, converse com o pediatra.
Bebê muito sonolento
Alguns recém-nascidos dormem tanto que quase não pedem para mamar. Se o bebê está fazendo poucas mamadas por dia, molhando poucas fraldas ou está difícil de acordar, fale com o pediatra.
Chupeta e mamadeira
O Ministério da Saúde recomenda evitar chupetas e mamadeiras, principalmente nas primeiras semanas, enquanto a amamentação ainda está se estabelecendo. O jeito de sugar nesses bicos é diferente, e alguns bebês passam a ter mais dificuldade para pegar o peito.
Cuide de você também
- Beba água: deixe uma garrafa por perto no lugar onde você amamenta.
- Coma bem e em horários regulares. Não existe uma dieta especial obrigatória para amamentar.
- Descanse sempre que puder, e aceite ajuda com a casa.
- Remédios: a maioria é compatível com a amamentação, mas sempre pergunte ao médico antes de tomar qualquer um.
Onde buscar ajuda (de graça)
- Bancos de Leite Humano: oferecem orientação gratuita sobre amamentação, além de receber doações de leite. Há unidades em muitas cidades do Brasil.
- Unidade Básica de Saúde (UBS): a equipe pode avaliar a mamada e acompanhar o peso do bebê.
- A maternidade onde você teve o bebê: muitas têm atendimento de retorno para dúvidas de amamentação.
- Disque Saúde 136: telefone do Ministério da Saúde para informações.
Consultoras de amamentação também atendem em casa, de forma particular.
E se não der certo?
Às vezes, mesmo com todo o esforço e ajuda, a amamentação não acontece como planejado, ou precisa ser complementada. Existem muitos motivos para isso, e nenhum deles faz de você uma mãe pior. Com a orientação do pediatra, o seu bebê vai ser bem alimentado e vai crescer cercado de cuidado.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação do seu médico, obstetra, pediatra ou outro profissional de saúde. Na dúvida, procure a sua equipe.